Morte de homem após atendimento na UPA de Itapeva/SP gera comoção, pedido de justiça e investigação sobre possível agressão

A morte de Júlio César (conhecido popularmente como “gato”), ocorrida na manhã desta quarta-feira (17/06), após ser atendido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itapeva, provocou forte comoção entre familiares, amigos e moradores do município.

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A morte de Júlio César (conhecido popularmente como “gato”), ocorrida na manhã desta quarta-feira (17/06), após ser atendido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itapeva, provocou forte comoção entre familiares, amigos e moradores do município. O caso, que agora é investigado pela Polícia Civil, ganhou repercussão após relatos de que, Júlio teria chegado à UPA e após surgirem informações sobre uma possível agressão durante o atendimento.

Em entrevistas exclusivas concedidas à equipe do Itapeva Alerta, familiares de Júlio cobraram esclarecimentos sobre tudo o que aconteceu desde o momento em que ele foi encontrado até sua morte.

Segundo a sobrinha, Cleide Rodrigues, a família busca respostas concretas e afirma que ainda existem muitas dúvidas sobre as circunstâncias que levaram ao falecimento.

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Auto Posto Incospel / Ipiranga

“Na realidade, o que a gente espera é esclarecimento sobre a morte dele. Esclarecimentos concretos do que realmente aconteceu. O que sabemos é que ele foi encontrado muito machucado e foi socorrido. Porém, também chegou até nós que houve agressões por parte de policiais. O que desejamos é justiça e esclarecimentos”, afirmou.

Durante a entrevista ao Itapeva Alerta, Cleide destacou que, apesar de Júlio enfrentar problemas relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas, ele era uma pessoa trabalhadora e muito querida pela família.

“Ele não era qualquer pessoa. Tinha seus problemas, mas era extremamente trabalhador. O que a gente cobra realmente é justiça.”

A sobrinha também relatou o sofrimento enfrentado pela família desde a internação de Júlio e revelou que a mãe dele, uma senhora de 90 anos, ainda não havia recebido todas as informações sobre a gravidade da situação.

“Ele tem uma mãe de 90 anos, irmãs, irmãos. Familiares vieram de Avaré, de Itapetininga. Estamos frustrados, indignados com essa fatalidade. Ele chegou muito machucado e nesta madrugada veio a óbito. Precisamos de esclarecimentos.”

Ainda segundo a familiar, existem informações que, na visão da família, ainda não foram totalmente esclarecidas pelas autoridades.

“Muita coisa não bate. Tem coisas que gostaríamos de entender melhor porque não ficaram claras para nós.”

Também em entrevista exclusiva ao Itapeva Alerta, a sobrinha Mara da Silva falou emocionada sobre a perda e pediu responsabilização caso sejam confirmadas irregularidades.

“Está muito difícil. Muito difícil mesmo. Ele não era uma pessoa má. Não estamos defendendo porque ele morreu. Ele não era uma pessoa má. Eu quero justiça. Que essas pessoas paguem, porque se fosse da família deles eu queria ver se estariam felizes. Eles também estariam sofrendo.”

Diante da repercussão do caso, o secretário municipal de Defesa Social, Coronel Fernandes, concedeu entrevista ao Itapeva Alerta detalhando a versão oficial dos fatos até o momento.

Segundo ele, a Polícia Militar foi acionada após informações de que um homem estaria caído em via pública e aparentemente embriagado. O SAMU foi chamado e realizou o encaminhamento até a UPA.

De acordo com o secretário, durante os procedimentos iniciais de atendimento, Júlio teria se recusado a passar pela triagem médica, sendo necessário solicitar apoio da Guarda Civil Municipal.

Ainda conforme o relato, houve um desentendimento durante a ocorrência, tornando necessária a contenção do paciente para que ele pudesse receber atendimento médico.

Após ser medicado e permanecer em observação, o quadro clínico teria apresentado piora durante a madrugada.

Segundo Fernandes, Senhor Júlio sofreu uma parada cardiorrespiratória, recebeu atendimento emergencial, foi estabilizado e transferido para a Santa Casa de Misericórdia de Itapeva, onde permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Na manhã desta quarta-feira, entretanto, Júlio não resistiu e faleceu.

O secretário confirmou ao Itapeva Alerta que uma das linhas investigadas é justamente a suspeita de possível agressão.

“As circunstâncias desse óbito estão sendo apuradas. Existe a suspeita de que possa ter ocorrido uma queda ou até mesmo uma possível agressão por parte de guardas municipais. Tudo isso será investigado através de inquérito.”

Ainda segundo Fernandes, familiares foram recebidos pela Secretaria Municipal de Saúde e orientados sobre os procedimentos legais, incluindo o registro da ocorrência junto à Polícia Civil.

Ele afirmou que policiais militares, guardas municipais, profissionais da saúde e demais envolvidos deverão prestar depoimentos durante a investigação.

“O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal para realização da necropsia. Somente após os laudos e o andamento do inquérito será possível esclarecer com precisão o que aconteceu.”

Em entrevista ao Itapeva Alerta, a secretária municipal de Saúde, Márcia Moraes, também comentou o caso.

Segundo ela, Júlio chegou à UPA transportado pelo SAMU após ser encontrado em situação de desorientação em via pública.

Márcia relatou que houve um desentendimento durante a triagem e que profissionais da unidade solicitaram apoio para garantir a segurança do local.

Posteriormente, conforme a secretária, o paciente permaneceu em observação, mas apresentou piora progressiva do quadro clínico.

“A equipe médica observou um rebaixamento do nível de consciência. Ele foi encaminhado para uma área de emergência dentro da UPA, sofreu duas paradas cardíacas que foram revertidas pelos profissionais, foi estabilizado e transferido para a UTI da Santa Casa.”

A secretária destacou que todos os documentos e informações estão sendo disponibilizados para as autoridades responsáveis pela investigação.

“Estamos fornecendo tudo o que é necessário para que a investigação ocorra com total lisura. Lamentamos profundamente o ocorrido e manifestamos nossos sentimentos à família.”

Em nota oficial enviada ao Itapeva Alerta, a Prefeitura de Itapeva informou que o caso ocorreu por volta das 21h40 da última segunda-feira (15/06), quando Júlio foi encaminhado à UPA após atendimento inicial realizado pelo SAMU.

O município confirmou que houve necessidade de contenção durante o atendimento e que informações preliminares apontam para uma possível agressão, circunstância que será apurada pelas autoridades competentes.

A administração municipal informou ainda que determinou o imediato encaminhamento do caso à Polícia Civil, que instaurou inquérito para investigar todas as circunstâncias envolvendo a ocorrência e a morte do paciente.

A Prefeitura reforçou seu compromisso com a transparência e declarou estar colaborando integralmente com as investigações.

Neste momento, a causa da morte de Júlio ainda não foi oficialmente divulgada pelas autoridades. O resultado da necropsia e as conclusões do inquérito policial deverão esclarecer se os ferimentos encontrados na vítima possuem relação direta com o falecimento e se houve eventual responsabilidade criminal de qualquer pessoa envolvida.

Enquanto aguardam respostas, familiares seguem mobilizados em busca de justiça.

O caso continua sendo acompanhado pela equipe do Itapeva Alerta, que seguirá trazendo atualizações sobre o andamento das investigações.

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