Itapeva e região não elegem deputados e expõem a fragilidade da representatividade política do Sudoeste Paulista

-Até o momento da finalização desta reportagem, 99% dos votos já haviam sido apurados no estado de São Paulo. A totalização dos votos ainda não havia sido concluída pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

-Até o momento da finalização desta reportagem, 99% dos votos já haviam sido apurados no estado de São Paulo. A totalização dos votos ainda não havia sido concluída pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mesmo com candidatos da própria cidade na disputa, divisão de votos e falta de uma liderança regional capaz de concentrar apoio deixam Itapeva sem representantes na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

As eleições de 2026 terminaram com um resultado que merece uma reflexão profunda sobre o cenário político de Itapeva e de todo o Sudoeste Paulista: mais uma vez, a região não conseguiu eleger um representante próprio para ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo ou na Câmara dos Deputados, em Brasília.

PUBLICIDADE
Auto Posto Incospel / Ipiranga

Embora a cidade tenha contado com candidatos locais na disputa, a votação obtida não foi suficiente para garantir a eleição de nenhum deles. O resultado evidencia uma dificuldade que se repete a cada pleito: a incapacidade de transformar a força eleitoral da região em representatividade política efetiva.

Confira a votação dos candidatos de Itapeva

Na disputa para deputado estadual, os candidatos da cidade obtiveram as seguintes votações:

* Jé (Jeferson Modesto): 25.457 votos.
* Débora Marcondes: 8.171 votos.
* Vanessa Guari: 6.563 votos.
* Dr. Mário Tassinari: 1.651 votos.
* Sérgio Panis Filho: 332 votos.

Já na disputa para deputado federal, os candidatos de Itapeva registraram:

* Thiago Leitão: 1.587 votos.
* Matheus Cerdeira: 1.183 votos.
* ⁠Oziel Pires: 3.964 votos.

Nenhum candidato alcançou números expressivos, nenhum deles conquistou uma cadeira no Legislativo estadual ou federal.

Uma região dividida e sem força política

O resultado levanta uma questão que vai além dos números das urnas: por que uma cidade com a importância regional de Itapeva ainda não consegue eleger um representante próprio?

A divisão dos votos entre diferentes candidaturas, a ausência de uma articulação regional consistente e a dificuldade de consolidar nomes com força política suficiente para ultrapassar as fronteiras municipais ajudam a explicar esse cenário.

O Sudoeste Paulista possui demandas importantes nas áreas de saúde, infraestrutura, educação, geração de empregos e desenvolvimento econômico. No entanto, sem representantes diretamente comprometidos com essas pautas nos espaços de decisão, a região continua dependendo da atuação de parlamentares de outras localidades para defender seus interesses.

É evidente que a eleição de um candidato local, por si só, não garantiria a solução dos problemas regionais. Entretanto, ter uma voz com conhecimento da realidade do território e compromisso com suas necessidades representa uma oportunidade importante de ampliar a pressão política por investimentos e melhorias.

O desafio de construir novas lideranças

A ausência de representantes eleitos também expõe uma questão que precisa ser enfrentada pelos partidos, pelas lideranças políticas e pela própria sociedade: a necessidade de construir candidaturas com maior capacidade de articulação, credibilidade e reconhecimento regional.

Não basta lançar nomes a cada quatro anos. É necessário desenvolver projetos políticos consistentes, estabelecer compromissos com os municípios vizinhos e construir uma liderança que consiga unir forças em torno de objetivos comuns.

Itapeva é um polo regional, mas essa condição econômica e geográfica ainda não se traduz em força política proporcional à sua importância.

O resultado das eleições de 2026 deixa uma mensagem clara: enquanto a região continuar fragmentada, dificilmente conseguirá transformar seu potencial eleitoral em representação efetiva.

A questão não é apenas quem perdeu a eleição, mas por que o Sudoeste Paulista continua perdendo a oportunidade de ter voz própria nos espaços onde são decididos os investimentos e os rumos do Estado e do país.

A cada eleição, a região renova suas expectativas. Mas, sem união, planejamento e lideranças capazes de representar os interesses coletivos, o risco é que o mesmo cenário se repita, deixando Itapeva e os municípios vizinhos mais uma vez à margem das grandes decisões políticas.

PUBLICIDADE
Sobre o autor

Comentários

Ainda não há comentários.

Usamos seu nome e seu comentário para publicá-lo nesta página; o e-mail, se informado, não é exibido. Privacidade